O tratado que deu alma aos Templários
Hugo de Payens pediu três vezes. São Bernardo demorou a responder — e, quando respondeu, escreveu a mais vigorosa defesa cristã do ofício das armas já saída de uma pena monástica.
Troyes, 13 de janeiro de 1128
Quando Jerusalém foi reconquistada em 1099, o Patriarca latino recrutou trinta cavaleiros a soldo para guardar o Santo Sepulcro. Em torno de um deles — Hugo de Payens, senhor de Montigny — formou-se, por volta de 1120, uma confraria de religiosos leigos: faziam votos de obediência, castidade e pobreza, viviam a vida claustral e ascética, mas harmonizada com o ofício militar. O rei Balduíno II concedeu-lhes um edifício erguido onde antes estivera o Templo de Salomão. Daí o nome: Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão.
Em 1127, Hugo e cinco companheiros atravessaram o mar em busca de aprovação eclesiástica. Apresentaram-se ao concílio reunido em Troyes, na França. Lá estava o abade cisterciense que agia como consciência de seu tempo: Bernardo de Claraval. De linhagem cavaleiresca, ele não negava as virtudes da raça de onde viera — era um monge, mas de espírito militar. Não só colaborou para que a Ordem fosse aprovada: pouco depois escreveu, para exaltar sua missão própria, o tratado que você tem agora em mãos.
Não é apenas um curioso tratado medieval
Nas linhas do De laude novae militiae pode-se ler o próprio pensamento cristão sobre o exercício das armas — não só quanto aos templários, mas quanto a quaisquer católicos chamados a empunhar a espada.
Primeira parte
O que torna justo ou injusto o exercício das armas; a diferença entre a nova cavalaria e as milícias seculares; em que circunstâncias se deve levar a guerra aos inimigos da fé; e como Cristo honrou o ofício do soldado, ao contrário do que hoje se supõe.
Segunda parte
O valor espiritual dos Lugares Santos que os Templários eram chamados a defender e manter em posse cristã: Belém, Nazaré, o Monte das Oliveiras, o vale de Josafá, o Jordão, o Calvário, o Santo Sepulcro, Betfagé e Betânia.
Mais mansos que cordeiros, mais ferozes que leões
O capítulo 4 é um dos retratos mais impressionantes da vida templária que a Idade Média nos legou: vivem sem esposas e sem filhos, sem nada de próprio, um só costume numa só casa; desprezam o xadrez e os jogos de azar; abominam a caça; têm o cabelo curto, raramente lavado, escurecido pela couraça e pelo calor; querem cavalos fortes e velozes, não coloridos nem adornados, pois pensam no combate, não na pompa; na vitória, não na glória.
Que o leitor, ao percorrer estas férreas linhas, não se esqueça de quem é o autor: uma das almas mais angélicas de todos os tempos, doce devoto de Nossa Senhora, caridoso e bondoso com todos. Não era, contudo, um piegas — mas uma alma de aço, disposta aos grandes combates pela fé.
Os 13 capítulos
- —Apresentação, por Lucas Lancaster
- —Advertência da Patrologia Latina
- —Prólogo: a Hugo, Mestre da Milícia de Cristo
- I.Do elogio à nova milícia
- II.Da milícia do século
- III.Da milícia de Cristo
- IV.Da vida dos soldados de Cristo
- V.Do Templo
- VI.De Belém
- VII.De Nazaré
- VIII.Do Monte das Oliveiras e do Vale de Josafá
- IX.Do Jordão
- X.Do Calvário
- XI.Do Sepulcro
- XII.De Betfagé
- XIII.De Betânia
Ficha técnica
| Autor | São Bernardo de Claraval (1090–1153) |
| Título original | De laude novae militiae |
| Tradução | Jaynnoã Fernando Silva Lopes, a partir da Patrologia Latina de Migne, vol. 182 |
| Organização | Lucas Lancaster |
| Coordenação editorial | Matheus Godoi |
| Revisão | André da Silva Machado |
| Capa | Gabriel Bastos e Juscelino H. Silva |
| Editora | Barônio — Escola de História da Igreja |
| Edição | 1ª ed. — Belo Horizonte, MG, 2026 |
| Formato | Brochura, 60 páginas, 19,5 cm |
| ISBN | 978-65-84335-01-1 |
Uma alma de aço
Bernardo morreu em Claraval em 1153, deixando estas páginas. Nove séculos depois, elas continuam sendo a resposta cristã mais firme à pergunta sobre a espada.
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